Continuidade das privatizações, previsibilidade regulatória e respeito aos contratos também estão entre as demandas do setor elétrico

WAGNER FREIRE, DA AGÊNCIA CANALENERGIA, DE SÃO PAULO (SP)

A Associação Brasileira de Geração de Energia Limpa (Abragel) e Associação Brasileira de Companhias de Energia Elétrica (ABCE) esperam que o próximo governo volte seus olhos para o setor elétrico, em especial que priorize algumas demandas consideras urgentes, como a solução para o GSF e a segurança energética com a retomada dos investimentos em hidrelétricas com reservatórios.

“Passado o calor das eleições, nós da ABCE esperamos que o presidente eleito Jair Bolsonaro dê a devida atenção ao setor elétrico brasileiro. Nesse sentido, entendemos ser muito importante uma solução emergencial para o problema do GSF, para resolver a questão da inadimplência no mercado de curto prazo, que hoje tem cerca de R$ 8,5 bilhões de inadimplência, com previsão de chegar ao final o ano em R$ 13 bilhões. Esse é um fator essencial para destravar o mercado”, disse o advogado Alexei Vivan, presidente da ABCE.

“É muito importante retomar os investimentos em hidrelétricas com reservatórios. Investimento em geração de energia elétrica com base em fontes que proporcione segurança para o setor, fontes que sejam perenes, que possamos conar e que o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) possa despachar sempre que tiver necessidade”, completou o executivo.

Ricardo Pigatto, da Abragel, disse que a entidade está otimista com o novo governo que começará no dia 1º de janeiro de 2019. “A Abragel vê com muita esperança o discurso de que o presidente eleito Jair Bolsonaro fez no domingo à noite, de menos burocracia, menos estado e mais estimulo ao empreendedorismo, e que o desenvolvimento é a tônica desse país. É o que estamos precisando, velocidade, gestão e principalmente seriedade na tomada de decisões.”

A continuidade das privatizações, a estabilidade e previsibilidade regulatória e jurídica, o respeito aos contratos, a redução dos subsídios, a racionalidade econômica e a transparência na formação dos preços da energia também foram bandeiras defendidas pela ABCE.

“As indicações políticas devem ser evitadas a qualquer custo, que tanto os ministérios quanto as estatais tenham indicações técnicas, visando reduzir interferências políticas, e blindar órgãos indispensáveis como a Aneel, para que ela tenha autonomia e independência na tomada de suas decisões”, declarou Vivan, que também pediu agilidade no processo de licenciamento ambiental.

*Com a colaboração de Sueli Montenegro, de Brasília.