Empresa não cumpriu objetivo para 2018. Plano de negócios prevê investimento de R$ 84 bi em cinco anos, 11% mais

 

Ramona Ordoñez – 05/12/2018 – 20:17

RIO – A Petrobras informou nesta quarta-feira que seu Conselho de Administração aprovou em reunião realizada na véspera seu Plano Estratégico 2040 e seu Plano de Negócios e Gestão (PNG) 2019-2023. Na estratégia para os próximos cinco anos, a empresa elevou sua previsão de venda de ativos para US$ 26,9 bilhões nos próximos cinco anos, apesar de não ter atingido a meta do plano anterior. A estatal planejava se desfazer de US$ 21 bilhões no biênio 2017-2018, mas só conseguiu vender negócios que somam US$ 8,3 bilhões até agora.

 

Em teleconferência com analistas realizada na tarde desta quarta-feira, o diretor financeiro da Petrobras, Rafael Grisolia, explicou que os ativos previstos no programa de vendas são os mesmos que já estão à venda. A empresa continua focada em vender a TAG, rede de gasodutos do Nordeste, a distribuidora de gás Liquigás, e também uma fatia de 60% de refinarias das regiões Nordeste e Sudeste, em dois blocos.

O novo plano de negócios também prevê investimentos de US$ 84,1 bilhões no período, como antecipado pelo GLOBO. A cifra representa uma alta de  12,8% em relação aos US$  74,5 bilhões previstos no PNG anterior do período 2018-2022. Esse é o maior investimento da Petrobras previsto desde o PNG 2015/19, que foi de US$ 98,4 bilhões.

Os investimentos previstos pela Petrobras em seu Plano de Negócios e Gestão 2019/23 de US$ 84,1 bilhões deverão resultar na geração de 450 mil empregos no país nos próximos cinco anos. A estimativa foi feita pelo diretor de Estratégia da Petrobras, Nelson Silva.  As atividades da companhia nos próximos cinco anos deverão gerar ainda cerca de R$ 600 bilhões  em impostos e tributos, e outros R$ 13 bilhões em financiamento para pesquisa e desenvolvimento. Também serão destinados R$ 6 bilhões para  projetos sociais e ambientais no país.

De acordo com a Petrobras, a nova meta de US$ 26,9 bilhões em vendas e a geração operacional de caixa estimada em US$ 114,2 bilhões entre 2019 e 2023 permitirão à companhia realizar seus investimentos e reduzir seu endividamento sem necessidade de novas captações. O cálculo considera o caixa após o pagamento de dividendos, impostos e contingências.Os analistas de mercado consideraram positivo o novo PNG, que não trouxe novidades nem em termos de novos investimentos, nem de novas vendas de ativos.

– O PNG é uma atualização, não tem grandes mudanças, com foco no aumento da produção e redução da dívida.  O foco do futuro presidente da companhia, Roberto Castello Branco, será venda de ativos, e certamente isso será incrementado no próximo plano – destacou Pedro Galdi,  da Mirae Corretora.

No PNG, a curva de produção de petróleo é crescente nos próximos anos, passando de 2,7 milhões de barris equivalentes por dia (incluindo gás natural) neste ano para 2,8 milhões de barris diários no próximo ano. E, a partir daí, é previsto crescimento médio anual de 5%.

A produção de petróleo no Brasil passará de 2,1 milhões de barris diários neste ano, para 2,3 milhões de barris no ano que vem, crescimento de 10%. O avanço na produção será possível, segundo a Petrobras, com a entrada de cinco novos sistemas neste ano e mais três no próximo ano.  Ao longo do PNG  está  prevista a entrada de mais 13 novos sistemas de produção.

Do total de investimentos previstos, a área de Exploração e Produção (E&P) continua prioritária. Contará com um total de recursos de US$ 69,9 bilhões, enquanto a área de Refino, Transporte e Comercialização terá US$ 8,2 bilhões.

Investimentos em renováveis e petroquímica

Nelson Silva, diretor de Estratégia da Petrobras, disse em sua apresentação do PNG aos analistas que a Petrobras pretende investir US$ 400 milhões nos próximos cinco anos em projetos de renováveis como geração eólica, solar e de biomassa, para preparar a companhia para a transição futura.

A novidade prevista do PNG é a volta dos investimentos da estatal em petroquímica. Apesar de continuar prevista a venda de sua participação na Braskem, na qual é sócia da Odebrecht, a Petrobras pretende fazer alguns investimentos no setor. Segundo o diretor Financeiro da estatal, Rafael Grisolia, estão previstos investimentos de US$ 300 milhões em petroquímica nos próximos cinco anos. A ideia é fazer alguns projetos integrados dentro das refinarias.
Para Giovani Loss, do escritório Mattos Filho Advogados, o PNG da Petrobras é positivo porque prevê o aumento dos investimentos e o aumento da produção, mantendo o foco na venda de ativos e na redução do endividamento:

– O PNG é bom, coerente. É natural que não tenha projetos novos de investimentos ou de venda de ativos, porque os atuais precisam ser executados. Tem muito projeto em andamento para aumentar a produção de petróleo assim como já tem muito ativo para ser vendido – destacou Giovani Loss.

Por sua vez, Paulo Valois, sócio do escritório Schmidt Valois  destaca que o novo PNG revela as mudanças feitas na Petrobras desde 2014, quando foi revelado o esquema de corrupção na companhia pela Operação Lava-Jato.

– É natural não que a empresa procure vender todos os ativos que ainda tem em seu portfolio. É um plano mais coerente – destacou Valois.

O PNG 2019-2033 considerou o preço do petróleo Brent, referência no mercado internacional, variando de uma média de US$ 66 o barril no próximo ano à média de US$ 75 o barril em 2023. Considera ainda uma taxa de câmbio de R$ 2,6 em 2019, que sobre para R$ 3,8 em 2023.

https://oglobo.globo.com/economia/petrobras-eleva-meta-de-venda-de-ativos-para-us-269-bi-ate-2023-23282011